Händel dramatismo das óperas e dos teatros para música

Händel é considerado o criador da oratória inglesa, que apresentava um requinte muito distinto de outras oratórias do compositor, como por exemplo La Resurrezione que demostrava um estilo claramente italiano. A maioria das oratórias escritas por Händel após 1730 sofreram fortes influências de formas e estilos ingleses, tais como a ode, a masque e os hinos corais ingleses. É interessante perceber que ao ser alemão, teria algumas dificuldades na língua inglesa, principalmente na sua declamação, que contrastava com o seu contemporâneo inglês Henri Purcell, porém Händel conseguia superar essa adversidade com a sua sensibilidade musical e o que fazia com ela. (Bukofzer, 1947, p. 333) 
A ideia da oratória inglesa veio a Händel por motivos musicais – necessidade de transportar o dramatismo das óperas e dos teatros para música de concerto – e extramusicais – como o compositor trabalhou na Capela Real inglesa nos últimos anos da sua vida, precisou de encontrar um estilo que pudesse combinar o dramatismo da ópera inglesa e temáticas sacra. Eis, então, que surge a oratória inglesa, um género que se assemelha a uma ópera sacra – “The performamces, it needs to be stressed, were presented without stage action as a type of sacred opera” (Buelow, 2004, p. 497) A sua primeira ópera inglesa é Esther e foi um grande sucesso, porém um promotor anónimo anunciou uma nova performance, desta vez como nunca fora apresentada antes (pois começou por ser uma masque). Esta adaptação para música “unstaged” – a oratória inglesa – surgiu também com o intuito involuntário de Händel proteger o seu trabalho da pirataria em Londres. Em 1737, Händel volta a Londres depois de um período de recuperação de uma doença e compõem três óperas (Faramondo, Alessandro Severo e Serse), contudo a temporada de primavera de 1738 não teve muito sucesso, vindo-se obrigado a concentrar-se novamente nas oratórias, escrevendo Saul e Israel in Egypt com o objetivo de lhe dar mais visibilidade e de ter posteriormente uma temporada de ópera favorável. 
Há dois tipos de oratórias inglesas, as não-dramáticas sem um enredo (exemplo, Israel in Egypt e Messiah) e as dramáticas, onde os textos (bíblicos, habitualmente) são adaptados por grandes escritores, tais como Dryden e Racine. “The English oratórios had the same ingredientes as the opera, mixed in somewhat different proportions.” (Palisca, 1991, p. 261) Os elementos comuns à oratória e à ópera são a abertura (ou sinfonia, como é o caso de Samson), árias, recitativos, ariosos e coros, sendo que estes assumem um papel 5 

fulcral na oratória; nos coros, o compositor emprega técnicas composicionais essencialmente germânicas, como o cantus firmus, a polifonia coral e a fuga; é no Messiah e no Salomon (apesar de este não ser uma das melhores oratórias de Händel) que se encontram alguns dos seus melhores corais. Desta feita, é atribuído a Händel o conceito do estilo coral inglês que temos hoje em dia. (Buelow, 2004, p. 497) 
Acis and Galathea e Haman and Mordecai (depois revisto como Esther) são as primeiras oratórias descendentes da masque, de tal modo que no início eram assim chamadas, foram escritas para o duque de Chandos em 1720 e possivelmente apresentadas de modo cénico. Bukofzer sugere uma classificação das oratórias de Händel em três categorias: a ópera coral, a cantata coral (têm por base as odes inglesas com temas alegóricos sem ação dramática) e o drama coral (é o mais comum, entre os quais, Deborah, Saul, Israel in Egypt e Samson); Bukofzer chega a dizer que “(…) the musical importance os the chorus outweights that of the solo numbers.” (Bukofzer, 1947, p. 336) 
Samson (HWV 57) de Händel 
A oratória Samson foi escrita em 1742 e é composta por três atos, totalizando 89 andamentos (sinfonias, árias, recitativos e corais). O seu elenco performativo é constituído por um ensemble orquestral formado por dois oboés, duas trompas, dois trompetes, tímpanos, dois violinos, viola e baixo contínuo, bem como por um conjunto de cantores que representam as personagens da história de Sansão: Samson (tenor), Dalila (soprano), Micah (alto), Harapha (baixo), uma mulher filisteia (soprano), um homem filisteu (tenor), um homem israelita (tenor), um mensageiro (tenor), um coro de israelitas, um coro de filisteus e um coro de virgens. 
O libreto desta oratória foi escrito por Newburgh Hamilton e conta a história bíblica de Sansão presente no Livro dos Juízes do Antigo Testamento. Sansão é filho de Manué, um homem da tribo de Dan, e da sua mulher que era estéril e ainda não tivera filhos até o nascimento de Sansão. A sua narrativa anda envolvida em lendas que relatam um homem de força extraordinária que atacou várias vezes os filisteus, tendo inclusive matado um leão novo e feroz. (Juízes 14,5-7) Apaixonou-se por uma mulher filisteia chamada Dalila que o traiu com o objetivo de descobrir a fonte da sua força, por parte dos filisteus. Quando percebeu que esta vinha dos seus cabelos, cortou-os e entregou Sansão aos príncipes dos filisteus, que lhe tiraram os olhos e prenderam-no. Assim sendo, Sansão pediu a Deus que lhe restituísse o poder que lhe dera antes de nascer e, assim, 

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